Por que damos valor às vidas humanas? Por que achamos que o mundo deva ser justo? Por que devemos nos importar com a natureza? Quais as motivações das pessoas? E que nome dar a todas as coisas da vida que não entendemos, não sabemos descrever, mas com as quais temos de lidar o tempo todo?




Por que não pode ser relativo?

por Outro corpo em movimento

A vida é estranha sim. Não tem jeito.
Não sei bem como provar isso, mas suspeito que eu não precise fazê-lo, pois se não há provas de que a vida não seja estranha, ela ser estranha é tão verdade quanto não ser.
Não sei direito sobre o que eu vim escrever. De alguma forma eu gostaria muito de falar sobre relativismo ou algo deste tipo, mas sinto que este tema é meio herege. Um assunto bem obscuro que realmente empaca logo no começo porque sempre tem alguém que fala que "dizer que as coisas são relativas é relativo", e assim põe um ponto final no assunto.
As pessoas têm mania de não gostar de relativismo. Acho que é porque quando supomos que as coisas são relativas parece que fomentamos uma grande desilusão, como se não adiantasse nada pensar sobre as coisas, já que elas são relativas mesmo. E também porque uma visão relativista é muito abrangende e pode dar margem para inúmeras interpretações, possivelmente esdrúxulas inclusive.
Com isso, tenta-se escapar deste impasse simplesmente preterindo o relativismo.

Já vi muitas pessoas usando o termo com sentido pejorativo, como: "ah, mas vc está sendo relativista", como se isto invalidasse o argumento.
Argumentos relativistas não servem, ao que parece.
Tá certo que tem muita gente que faz justamente o contrário, diz que algo é relativo para não ter que explicar: "ah, isso é muito relativo, deixa pra lá", o que pra mim também não procede, ora, se algo é relativo, deve-se considerar sua relatividade, seu contexto, seus detalhes, mas isso não impede que se fale sobre algo.

Será que teorias relativistas possivelmente alimentam teorias da conspiração?

Tá, tá... estou sem plano com esta conversa.
Alguém pode me esclarecer afinal, qual o grande problema do relativismo?


5 Comentários:

Blogger Leo disse...

Haha, gostei do post, apesar da falta de orientação heheh. Concordo plenamente e acho que não tem nada a ver esta história de desprezar algo porque é relativo, muito pelo contrário, dizer que é relativo torna o assunto mais interessante e complexo, porque se precisa determinar de que maneira se dá esta relação.

Por exemplo, o relativismo moral, dizer que não há valores absolutos e que eles só podem ser avaliados num contexto específico impõe a pergunta importantíssima de quais são então os fatores deste contexto que tornam estes valores coerentes ou necessários.

(Não sou muito moralmente relativista, porque acho que o grosso da moral é implicado por nossa natureza e esquemas básicos de relações sociais, embora a parte mais fina varie bastante de cultura para cultura).

Talvez as pessoas desprezem o relativismo como se ele fosse um nihilismo, isto é, se tudo é relativo não tem nem o que discutir, e não percebem que tem sim, as próprias relações.

terça-feira, julho 13, 2010 10:59:00 PM  
Blogger Leonardo disse...

Eu sempre fui da opinião de que "para existir o relativo é preciso que exista o absoluto".

Seria uma longa história, e estou com um pouco de preguiça de escrever um longo comentário agora, mas para resumir a idéia: "se glicose se transforma em água e gás carbônico, é preciso que haja algo comum tanto à glicose quanto à água; do contrário, glicose e água seriam coisas completamente sem relação, ocorrendo o desaparecimento da glicose seguida do aparecimento da água."

Ora, a gente quer que as coisas tenham relação. E aí acho que a ciência fundamental foi avançando, encontrando o que era cada vez mais comum. Para átomos, para partículas elementares, para a unidade entre matéria e energia.

Agora, sustentando minha opinião de um outro ponto de vista: "[...]impõe a pergunta importantíssima de quais são então os fatores deste contexto que tornam estes valores coerentes ou necessários". Isso exprime para mim que saímos de uma afirmação lógica "'Isto' é verdade" para a a afirmação "'Se isto então aquilo' é verdade". E aí vai ficando cada vez mais abstrato. É claro que daí naturalmente aparece nosso colega 'ad infinitum'! :D

O conteúdo fica relativo, mas o contexto, que é uma regra, ou lei, precisa ser absoluto, senão o mundo entra em colapso.

Bem, é claro que parece que eu tenho uma visão de mundo um tanto idealista...

quinta-feira, julho 15, 2010 4:35:00 AM  
Blogger Outro corpo em movimento disse...

Hm, não tenho muito a acrescentar, concordo com ambos.
O problema de relativizar é fazer isto mal feito.
Afinal relativizar não é dizer que vale tudo porque não existe nada fixo (ou absoluto). Relativizar é levar em considerações que alguns fatores dependem do contexto, ou seja, são relativos. Simplesmente isso, certo?

quinta-feira, julho 15, 2010 1:22:00 PM  
Blogger Leo disse...

Sim, relativo ao meu entendimento heheh.

Acho que as pessoas são facilmente levadas a pensar que, se algo é relativo, não há parâmetros para se discutir algo, ao invés de pensar que precisam de parâmetros mais gerais.

quinta-feira, julho 15, 2010 3:45:00 PM  
Anonymous Ananda disse...

Relativo relaciona-se com convenção, se algo é dado por convenção, muda-se o acordo e automaticamente muda-se as asserções sobre o que está em jogo. Isto me parece bastante bom, porque fica um terreno indeterminado de modo que não se torna plausível um "ser superior" decidindo com uma varinha mágica sobre algo. Isto é ao mesmo tempo limitado (o que não torna inválido mas circunscreve) porque na ausência deste ser superior (absoluto) ocorre muitas vezes (ou pode ocorrer) que alguém dentro do acordo tome para si as decisões - e aí seria um absoluto dentro do relativo que, nesse caso sim, invalida o conteúdo. Exemplificando, posso achar muito aceitável que dada cultura cometa certas violências estando longe do meu país e asserir: é lícito que eles façam tal coisa porque na cultura deles funciona assim, eu daqui não posso julgá-los. O problema é que nenhuma cultura é unívoca - se for há sérios problemas - então dentro mesmo desta cultura, que estou considerando lícita, haverão pessoas que não compactuarão com aquilo. Logo, haverão pessoas que afirmarão dentro de sua própria cultura que esta é ilegítima. Ora, se este integrante do grupo está de pleno direito de fazer tal julgamento, é razoável pensar que se eu fizer o mesmo julgamento, por exemplo, não está dado que asseri desta forma pelo simples fato de estar distante de seus valores, etc, e portanto não ter condições de avaliar; afinal aquela pessoa de lá de dentro afirmou o mesmo que eu, discordando da cultura vigente.

quarta-feira, maio 11, 2011 1:02:00 AM  

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