Por que damos valor às vidas humanas? Por que achamos que o mundo deva ser justo? Por que devemos nos importar com a natureza? Quais as motivações das pessoas? E que nome dar a todas as coisas da vida que não entendemos, não sabemos descrever, mas com as quais temos de lidar o tempo todo?




Eu sou volátil

por Karynn

Nos dois sentidos do termo, e, se houver mais algum sentido, provavelmente também se aplique a mim.
Eu evaporo extremamente rápido, como algo úmido, pegajoso, líquido. Recomenda-se que eu não me exponha a temperaturas elevadas, mas... como evitar? Se houvesse uma redoma do meu tamanho eu até me esconderia nela pra sempre, mas não tem, eu sei que não tem, nem do meu tamanho físico, nem do meu tamanho mental.
E também, sou muito vulnerável. Não que os outros exerçam tanta influência sobre mim, mas as coisas exercem. Veja: Ontem eu estava apaixonada, por ele e pelas formigas... hoje ainda não me apaixonei por nada, mas isso não é o pior, acontece que eu estou com muita raiva dele e das formigas, principalmente dele. As formiguinhas só tiveram a desventura de estarem associadas a ele, o que outrora fora motivo de paixão.
Por que a raiva? Bom... qualquer coisa que eu diga não será tudo, porque nunca é, mas... basicamente é porque eu fiz mil elogios, falei que estava apaixonda, adorei as coisas que ele escreveu e... e ele? Há! Me fez os comentariozinhos mais chulépes do mundo!
Isso me faz pensar que: ou ele não gosta tanto assim de mim, ou ele não sabe apreciar as coisas bacanas que eu digo, ou ele é um molengote que não se dá o mínimo trabalho de me elogiar mesmo que seja mentira só pra eu ficar feliz, ou,... eu sou um serzinho infeliz e egoísta que faz as coisas esperando uma retribuição!!!!
É claro que tudo indica que a alternativa correta é a última, mas... poxa... que chutas!
Ah, não é que eu faça as coisas esperando algo em troca, mas, acho que todo mundo espera alguma coisa, sempre. Eu o elogiei porque fiquei empolgada, porque era verdade, porque eu gostei e porque eu estava apaixonada... aí eu criei toda uma espectativa... e, pude perceber, porque eu achei e porque ele falou, que só eu sou (eu era!!!!!) apaixonada... mas, por que ele não me inventa uma mentira? "Mentiras sinceras me interessam".
Ah, eu estou rabugenta sim! Só queria achar que... que ele sente a mesma coisa que eu.
E, não só ele, mas... o mundo todo! Essa casca anêmica, amarela, feia, dentro e fora das pessoas impede a existência de tanta coisa bacana.
Está quente, quente demais pra mim... quando eu sentei aqui eu era outra coisa, porque estou evaporando, devido ao calor dos meus botões... daqui a pouco serei outro estado e estarei preocupada com qualquer outra coisa que parecerá muito mais importante do que isso, que será muito menos mesquinho, muito menos patético... (...) e muito menos sincero!

Sobre a falta de Assunto

por Karynn

Talvez tudo seja pura falta de assunto... tudo mesmo!
Talvez a ciência seja falta de assunto, e a filosofia também... e a botânica, a culinária, a arte, enfim, afinal, precisamos nos distrair!
E antes que vc diga que isso é um paradoxo porque essas "coisas" que eu citei existem justamente por causa da abundância de assunto, e existem assim separadinhas e com nomes bonitinhos porque o Tudo é muita coisa e foi preciso fazer essas fragmentação, quero que fique bem claro que o que importa aqui e agora é o que eu acho, e nada mais!
Bom... eu nem sei o que quero dizer com "assunto" mas acho que vc entende mais ou menos... mesmo porque entender é algo proibido, errado, feio, imoral, tá bom??? Então, basta que vc não entenda mesmo e já é suficiente.
Estou escrevendo assim desse jeito áspero porque não era isso o que eu queria escrever, mas era exatamente SOBRE isso. Eu ia escrever que eu queria escrever alguma coisa mas não tinha o que escrever, então eu pensei que bastava que eu começasse a escrever e já estaria escrevendo, ou seja, que eu não precisava ter um assunto porque ele certamente apereceria. Isso me deixou com raiva e acabei escrevendo assim. Note que há uma grande diferença entre o que eu estou escrevendo e o que eu ia escrever, e é bem por causa da linguagem essa diferença, e só por isso... taí outro assunto: a linguagem.
Eu fiquei com raiva porque é muito fácil arranjar um assunto, como se arranja uma desculpa esfarrapada ou um motivo para deixar de fazer qualquer coisa. Eu nem tinha nada o que falar e estou aqui, falando! Abotoando com meus botões nervosos que ficam guardados dentro do meu cérebro inacessível... isso porque ninguém nunca o viu, só por isso.
Pronto, eu já falei sobre um assunto! E poderia ter falado sobre qualquer outro, não é irritante isso?!?
Ah, agora vou falar sobre a CASUALIDADE/CAUSALIDADE, que é um belo assunto, com um nome todo pomposo. Por que eu quis falar sobre os assuntos e não sobre outra coisa? Há algo responsável por isso? Se não há dá a impressão de que o mundo é desorganizado, bobo e sem sentido, se há, parece que somos robôs ou ratinhos de laboratório que servem para verificar a validade de algum sistema, para ver se ele funciona mesmo. Se ele funciona, somos usados da maneira mais maldosa, afinal, a pessoa ou coisa que resolveu nos testar já sabia o resultado provável, não houve adrenalina nem nada bonito, é como esperar num consultório, onde não há emoção e a única questão é: "vai demorar muito ou pouco" e nada além disso. Se não funciona, pior ainda! Além de não termos escolhido coisa alguma e não termos vivido algo emocionante ainda carregamos nas costas a faixa do fracasso, do último lugar, da derrota, saímos de cena sem troféu, sem mérito e sem nenhuma contentação.
Tá, mas agora eu cansei desse pessimismo.
Vou mudar de assunto, falemos de amor... ou de gatos? De gatos!
Os gatos são lindos. Muitas pessoas dizem que são traiçoeiros, mas é mentira! É que eles são sutis e como as pessoas tem uma dificuldade irritante de interpretação é preciso que as coisas sejam explicitas para que elas percebam alguma coisa, para que não se sintam vagas. Essa dificuldade é bastante latente no comunicação... as pessoas não conseguem dizer as coisas, não conseguem ouvir, não conseguem falar a verdade, não conseguem admitir que são fétidas e que fazem coisas quando estão sozinhas que não fariam se não estivessem. Elas tentam mostrar que agem sempre da mesma forma, que são naturais, o que não é verdade! Não somos naturais! Esse fingimento todo é porque não são capazes de comunicar aos outros aquilo o que realmente são. Os gatos, eles se comunicam de maneira delicada, mostram as coisas, mas as pessoas são grosseiras e rudes demais para captar isso. Só conseguem, quando muito, notar que os cachorros estão felizes porque eles abanam o rabo. Só conseguem notar que alguém está precisando de ajuda quando este se descabela e ameça se enforcar no próximo dia dos pais, e, as vezes, nem assim se deixam abalar.
Bom, agora cansei! Eu não tinha nada interessante pra dizer e continuo não tendo, isso tudo foi pura encheção de linguiça... eu só queria mostrar como é fácil escrever, não precisa de quase nada. Nem ao menos é preciso ter um assunto!

Sobre a impossibilidade de se compreender a probabilidade de certos tipos de eventos:

por Leo

Qual a probabilidade de sair um 6 na próxima mega sena?
Qual a probabilidade de eu ser assaltado se eu sair hoje a noite?
Qual a probabilidade de um abutre sofrer combustão espontânea?
São dois tipos de perguntas bastante diferentes, a primeira tem uma resposta simples e calculável (ainda que o cálculo não seja tão simples quanto os modelos simplificados nos dizem), mas questiono qual o significado de se atribuir uma probabilidade à segunda(e 3a), e como se descobrir esse número.
Sabemos calcular probabilidades de fenômenos simples e aleatórios como sorteios ou comportamento de partículas microscópicas, mas o que dizer sobre fenômenos complexos? Uma pergunta bastante pertinente é se podemos dar algum sentido de aleatoriedade para que se justifique a probabilidade.
Mas afirmo que de fato se eu sair hoje a noite, e se eu tivesse a chance de fazer isso muitas e muitas vezes de modos diferentes, em algumas das vezes eu seria assaltado e em outras não. A aleatoriedade em questão é a minha escolha do caminho, e o cálculo poderia ser feito baseado nos eventos que ocorrerão nesse caminho, ou se forem eventos que podem ocorrer de mais de um modo (não-determinísticos) levaria se em conta suas probabilidades. De qualquer forma isso pressupõe um modelo realista do mundo, já determinado.
Agora, faria sentido falar da probabilidade de eu ser assaltado numa noite qualquer? Agora, falando de um teste possível, sei que saindo todas as noites, em algumas eu serei assaltado, em outras não. De modo que parece fazer algum sentido atribuir uma certa probabilidade de ser assaltado, ainda que ela seja variável com a noite (a previsão do tempo é de assaltos torrenciais). E de fato, posso correlacionar isso com índices economicos, indices de policiamento e eventos esportivos e provavelmente encontrarei alguma correlação entre estes e as ocorrências dos meus assaltos.
Mas ainda que estes me ajudem a estimar com boa precisão a minha taxa de assaltos, não passam de observações empíricas, sem um fundamento teórico. Como poderia então fundamentar a atribuição de probabilidade a um evento como esse?
Talvez eu devesse procurar por distribuições de probabilidade do meu próprio comportamento (ou do comportamento do sistema respiratório de um abutre) assumindo como este um evento aleatório, o que por si só já seria extremamente complexo (e talvez mesmo isso não faça sentido), e baseado nisso calcular então as distribuições de frequencia de bandidos, suas localizações e as chances de encontro... mas note que mesmo um modelo destes não é algo muito concreto e bem fundamentado, como posso falar de distribuições de probabilidades de bandidos? e por que é esse o tipo de variavel que eu deveria procurar? E note que não é por se tratar de uma pessoa o problema, não é uma questão de livre-arbítrio. O caso do urubu seria igualmente complicado, teria de fazer uma distribuição de probabilidade de localização dos urubus, suas alimentações, temperaturas corporais? Isso seria feito baseando-se na fisiologia do urubu? E na suas ocorrências atuais? E porque não nas passadas? E a distribuição geográfica futura, não conta?
De modo que digo que não há um sentido em falar de um modelo de probabilidades para esse tipo de eventos; não sei precisar a justificativa, talvez seja uma impossibilidade cognitiva por se tratarem de fenômenos muito complexos, talvez seja um problema de delimitação do sistema (definir melhor), talvez seja o problema de se falar da aleatoriedade dessas situações ou ainda talvez seja tudo isso apenas uma divagação com grandes erros conceituais. Mas por ora sou dessa opinião, de que por algum motivo não há como modelar tais situações num modo com sentido matemático. O que se pode fazer são simplesmente estimativas baseadas em correlações estatísticas entre eventos, o que é muito diferente. Muito embora falemos de probabilidades de quaisquer coisas intuitivamente, e se trata de algo bastante incorporado a nossa visão de mundo.

Sobre o nosso (não) entendimento das coisas

por Leo

Estava pensando em como dar nome às coisas é importante, uma vez que dando um nome você pode comunicá-la, ou pode registrá-la, perceber coisas sobre ela e ir associando idéias a ela, mesmo que seja um nome estranho como estado indescritível nº7.
Estava ouvindo uma música e tinha esse trecho:

"She was only sixteen, only sixteen
But I loved her so
But she was too young to fall in love
And I was too young to know"
(ONLY SIXTEEN, Dr Hook)

Ora, ela era muito nova para se apaixonar, e eu para saber disso. Acho que isso fala algo de importante sobre a vida, sobre como pensamos de um jeito, e depois mudamos de idéia e depois não sabemos porque pensávamos daquele jeito ou mesmo porque existem dois jeitos de se pensar, e depois de um tempo pensamos que tudo isso não fazia o menor sentido...
Acho que é essa sensação que eu quis passar quando propus o Blog assim... sobre como não entendemos as coisas da vida, ou se as entendemos não entendemos porque as entendemos, e sempre há coisas demais que não entendemos e nesse momento não há nada que você possa fazer sobre isso.
Hoje estava pensando em como uma raça alienígena muito avançada nos veria, e acho que é como nós vemos os macacos, com seus hábitos e objetivos e procurando por um monte de coisas que não entendem, e que para nós não fazem o menor sentido... "Por que será que eles fazem essas coisas?", "Por que as formigas andam dezenas de metros para levar as folhas de uma certa planta ao formigueiro? Por que algumas delas se perdem e vão parar muito longe? Por que elas não ligam pra isso? O que será que elas não estão entendendo?"

"So why did I give my heart so fast
It never will happen again
But I was a mere child of sixteen
I've aged a year since then"

Sobre o significado das coisas

por Leo

Nonoi, essa é minha interpretação das coisas que a gente viu...
acho que o Frege não necessariamente discorda de Locke, mas dá um passo além. Locke fala que a comunicação e portanto as proposições e sentenças não se referem aos objetos reais (o carro azul), mas às concepções individuais que temos deles (o modo como os imaginamos, as representações mentais, etc). Frege disse então que não devemos confundir os conceitos e significados das coisas com essas concepções individuais, por exemplo o conceito de número não depende do que você imagina quando pensa nele. De modo que então, embora as proposições tragam representações mentais, que são usadas para sua formulação e compreensão como propõe o Locke, o significado e conceitos não são essas representações, e eles têm uma forma que independe delas, embora como Frege diz, elas possam falar muito sobre eles. Acho que ele quis dizer que os conceitos e significados das proposições são coisas mais profundas, que as representações mentais são construídas a partir deles, mas não são eles. Se pensarmos assim, dá para falar que de fato não falamos das nossas concepções das coisas, embora elas sejam as que nos vêm à mente, mas falamos das próprias coisas (pois na verdade falamos do significado, do que as representações mentais representam), usando essas representações mentais apenas como instrumento.
Por exemplo, quando falo carro azul, eu penso no carro azul e me vem uma imagem do carro azul que eu conheci e vi, que é diferente do seu, e uso essa imagem para falar dele, mas essa imagem é baseada no significado de "carro azul", que é uma coisa mais profunda, de modo embora construa e entenda usando a imagem, na verdade falo do significado (que é o próprio carro que vi), embora pareça que falamos do carro que imaginamos.
Acho que o Frege acha que o significado, os conceitos são coisas formais, como os objetos matemáticos, são definíveis, têm propriedades. E é por isso que não são as coisas que imaginamos.
Não sei exatamente onde entra o Wittgenstein, mas acho que ele tenta organizar esse sistema falando por exemplo que significados se associam a fatos e não a coisas.
Mas não sei se essa interpretação procede, é só o jeito que eu entendi... seria necessário estudar mais os textos para ver.

Rinite alérgica

por Karynn

Diabos!!!! Como eu posso me entender????
Eu pedi pro meu professor prorrogar o prazo de entrega dos trabalhos e ele me mandou a seguinte resposta: "Karynn, receberei os trabalhos dia 18 de abril" sem mais nem menos, bem isso mesmo. A grande verdade é que eu não sei nem que dia é hoje, mas sei muito bem que não falta muito tempo pra chegar o dia 18, ou seja, eu tenho começar ainda hoje esse maldito trabalho... mas não vai ser chato, eu acho... vou falar sobre alguns conceitos de Frege e isso pode contribuir para a minha pesquisa de iniciação cientifica. É que hoje eu mesmo eu falei com o Tassinari e ele disse que vamos desenvolver um projeto para pedir bolsa FAPESP. Estou muito ansiosa... eu estava deixando as minhas crescerem e comecei a roê-las. Por exemplo, se eu usasse o "mas" nessa frase: "estava deixando as unhas crescerem MAS comecei a roê-las" não seria adequado, eu acho). Puxa vida, estou muito nervosa/ansiosa. Estou escrevendo rápido, acho que vou explodir com tanta eletricidade.
Que saco, eu fiquei durante meses cuidando das minhas unhas e usando casco de cavalo, e, de repende, em segundos eu consegui destruir tudo sem nem perceber... só agora que eu notei, e não tenho uma lixa por perto para concertar(consertar?), isso me dá vontade de continuar destruindo.
Hoje, quando eu cheguei na sala do meu orientador, ele já tinha começado a reunião com o outro orientando, o Rafael... aí ele puxou uma cadeira pra mim e eu sentei... como sempre coloquei minha mochila no colo (em cima de mim na verdade). Eu me sinto menos exposta quando a mochila me tampa. Aí ele falou"coloque a mochila no chão, a menos que ela esteja servindo de objeto de (não lembro qual foi a palavra que ele usou mas acho que foi"transação") e em seguida explicou o que era aquilo (supostamente o tal objeto de transação). E não é que eu descobri que minha mochila é exatamente isso! Eu odeio sair sem ela... quando estou andando de bicicleta ela tampa meu cofrinho, quando estou andando em pé ela funciona quase como uma companhia, quando estou sentada ela cobre minha barriga e minhas coxas e quando fico com sono posso usá-la como travesseiro, para deitar em algum lugar... enfim... pra que amigos??? Pra que namorado??? Pra que qualquer coisa se eu tenho a minha mochila??????????????
Mas ela está rasgando embaixo, em breve restarão apenas farrapos e eu ficarei definitivamente só!!!!!!!!

Layout

por Leo

Ei Nonoi, gostou das flores? Eu pensei em colocar um fundo com umas equações e palavras soltas, pra não ficar esse fundo preto atrás... o que vc acha?