Por que damos valor às vidas humanas? Por que achamos que o mundo deva ser justo? Por que devemos nos importar com a natureza? Quais as motivações das pessoas? E que nome dar a todas as coisas da vida que não entendemos, não sabemos descrever, mas com as quais temos de lidar o tempo todo?




Existem perguntas que só fazem sentido depois que você sabe a resposta?

por Leo

O que significa esse título?

Estava reparando que existem perguntas, e frases em geral que só são compreendidas ao serem explicadas, de modo que embora elas proponham um certo significado, são incapazes de transmiti-lo. Um paradoxo não? Uma frase que só comunica para quem já a entendeu...

Na verdade talvez não, bom, acho que depende do contexto. Uma frase dessas pode ser bastante útil por ser concisa, e no meio de um discurso, pode-se usá-la para fazer referência àquilo que já foi exemplicado.

Mas didaticamente é péssimo...

Embora ela seja impenetrável a quem não a conhece, uma pessoa que já teve contato com aquela idéia antes poderá entendê-la sem explicações, de modo que sim, ela traz informação, mas pouca, insuficiente para um discurso claro.

Ah, é só isso, só queria chamar atenção para o fato.
Ah, e deve explicar boa parte da dificuldade de se entender textos acadêmicos e tal. De modo que não é necessário usar um vocabulário obscuro, ornamentado e arcaico para que não se seja entendido, basta se utilizar de frases comuns incompreensíveis.

A existência (do universo, das coisas, da vida) tem um propósito? E um valor?

por Leo

Uma das coisas que se costuma descartar quando se se torna agnóstico é a crença num propósito para a vida (o sentido geral da vida) e para a existência do universo... que é, creio eu, uma das características principais das religiões; dar um sentido à vida, explicar como as coisas são, e dizer o que é certo...

Numa das minhas conversas com minha mãe sobre espiritismo ela me expôs uma tese que pensando bem pode ter algum sentido... e é algo importante e difícil de se explicar facilmente creio eu... é uma proposta de se dar um objetivo ao universo (teleologia).

Sabe-se que as leis da física como as conhecemos favorecem a permanência de certos fenômenos a outros. Quarks top e down são favorecidos à quarks strange e charm. Matéria convencional é favorecida à antimatéria. De modo que as leis acabam definindo o que é estável e o que não é, e assim um certo favorecimento a certas coisas. Em particular, podemos pensar que ela favorece a vida, ou pelo menos o processo de evolução por variabilidade-seleção natural. É algo meio difícil de afirmar devido ao fato de só conhecermos a vida na Terra (e isso não ajuda a dizer de que a vida é algo comum e favorecido pela física!) mas cremos que uma vez bem estabelecida esta foi bem sucedida em permanecer até os dias de hoje. E podemos pensar também de que a evolução tenha preferência por seres que manipulem eficientemente energia e informação, pois estes parecem ser mais propensos à sobrevivência; ou ainda os que tem maior complexidade auxiliando sua adaptação...

Enfim, a tese é de que há fenômenos favorecidos pelas leis da física, em particular a vida e os seres mais complexos ("mais evoluídos"), e que isto é um ponto sólido para se dizer que o universo tem um propósito: proporcionar a existência e desenvolvimento desses fenômenos. É algo um tanto questionável, em vista de evidências circunstanciais, mas acho que é algo sério a se pensar, pois se baseia num princípio razoável, o de que algumas coisas parecem ser favorecidas...

A outra questão que gostaria de postar refere-se à ética. Pensei hoje que a questão mais fundamental da ética não é o que é o bem ou como atingi-lo, mas como justificar o valor da existência e em particular da existência humana. Como argumentar a favor do valor da vida? Por que a vida tem um valor?

Não faço idéia de como responder isso... e começo a pensar de que é uma pergunta sem uma resposta racional. Simplesmente é intrínseco a nós valorizarmos nossa própria existência, talvez porque evoluímos assim e isso favoreceu nossa sobrevivência, ou porque seja uma necessidade psicológica, talvez nós aceitemos este princípio simplesmente porque se não o aceitarmos nada mais pode fazer sentido... enfim, são apenas especulações... gostaria de ouvir uma resposta.

A realidade é péssima, logo, o realismo é um pessimismo

por Karynn

É esquisita a organização da nossa sociedade. São esquisitos os valores que atribuimos às coisas. São esquisitas as coisas que as pessoas fazem por si mesmas e as que elas não fazem pelos outros. São esquisitos os padrões de conduta. É esquisito haver padrões. São esquisitas de entender as coisas que não vemos, e também as que vemos. É esquisito quando não conseguimos encontrar motivos para as coisas. É esquisito quando a pessoa social é diferente da pessoa solitária.
Poderia-se extrair disso tudo uma gigantesca revolta que existisse enquanto todas essas esquisitices durassem. E uma revolta com muita razão de ser, afinal, não é difícil de se concluir que somos verdadeiros desgraçados por termos que engolir uma esquisitisse atrás da outra.
E o pior de tudo é que engolimos à força, de maneira dolorida.
No entanto, raramente vejo pessoas revoltadas por causa disso, elas se revoltam com a fome que nunca passaram, com o frio que nunca sentiram, com a doença que nunca tiveram, com o presidente que não conhecem, com as notícias que não esperam, com os poemas que não entendem, com o dinheiro que não têm, enfim.
Por um lado, penso que seria mais difícil ainda se além de não compreendermos quase nada a respeito das coisas essencias ainda vivessemos de maneira revoltada. Provavelmente seríamos mais rabugentos, muito mais pessimistas e mais entediados (porque se assumíssimos que não entendemos as coisas que fingimos entender deixaríamos de inventar coisas pra nos distrairmos). Mas, por outro lado, pararíamos com essas revoltinhas bobas que parecem existir porque sentimos uma certa obrigação de reclamar das coisas para parecermos críticos.
Eu penso que se é pra haver revolta, que ao menos essa revolta seja por causa de coisas que REALMENTE nos incomadam e não por coisas que achamos que é bonito nos incomodar.
E acho, além de esquisito, curioso o fato de as pessoas terem se acostumado com o mundo do jeito esquisito que ele é.
As vezes eu paro o que estou fazendo e sinto alguma coisa (talvez minha consciência) dentro de mim me fazendo pensar no principio de tudo, e esse principio não tem ponto de partida porque sempre tem alguma coisa antes dele. Isso me revolta sim. Eu sempre acabo pensando na questão da existência de "deus". Aí eu me sinto obrigada a pensar em teorias com alternativas (pra não ter escapatória, porque alguma alternativa há de ser correta, mesmo que eu não saiba qual), tipo: ou deus é sacana de obrigar a gente a viver num mundo completamente esquisito, ou na verdade nada é esquisito, nós é que complicamos as coisas, ou nós é que somos burros demais e não conseguimos entender que as coisas todas têm uma ótima explicação.
Ah, e que fique bem claro que essas explicações que se vê por aí não são ótimas, são pura encheção de linguiça. As vezes eu tenho uma raiva da ciência, acho que ela é mestra na arte de encher linguiça, no fim ela é capaz apenas de nos distrair com esperanças ou desesperanças enquanto o tempo passa, afinal, eu sei muito bem ( e isso parece ser intrínseco a mim) que as coisas sempre serão esquisitas.

Por que nos importamos tanto com os primeiros ?

por Leo

Estava pensando em por que importa tanto exatamente o que o autor quis dizer, exatamente a seqüência de notas de uma melodia, exatamente a obra famosa, em oposição às suas réplicas, variações e similares?

Pensei que isso tem alguma semelhança com o sucesso do primeiro: Por que é tão importante quem foi o primeiro a descobrir tal coisa, ou o que chegou em primeiro, ou o que aconteceu primeiro?

Não estou destruindo o significado de se estabelecer alguma ordem, apenas questiono o significado do primeiro em específico, questiono qual a diferença fundamental entre o primeiro e o segundo. Por que não falar dos primeiros? Por que só os primeiros levam prêmios? Por que o prêmio não é proporcional ao sucesso individual (ou a o que quer que determine o mérito)? Por que a imitação é tão diferente da original, mesmo quando são tecnicamente indistinguíveis? É por causa do valor histórico? É algo simbólico? Por que a variação da música é pior que a própria? Ou a interpretação desviante não seja tão boa quanto a do original do autor?

Acho que o que quero expressar é a constituição (o que compõe a coisa, o que a delimita) em oposição a uma importância simbólica e histórica. Quando um é mais importante que outro? É importante que se exponha a obra original no museu se ela é idêntica à outra nos olhos de todos os especialistas? É um mérito maior descobrir o cálculo ou inventar o avião dois ou três anos antes? Ou chegar um milésimo de segundo antes?

Embora esteja defendendo a constituição nesses casos, gostaria de dizer que defendo a ordem histórica e simbólica para o caso específico dos sentimentos. Mas justamente por se tratarem de algo completamente diferente no qual não importa a informação ou a quantidade, mas sim o papel que aquele ser em especial desempenhou em algum momento da sua vida, e não um outro idêntico em constituição. Note que é um critério que de certa forma gera problemas, pois dois ursinhos idênticos podem ter significados diferentes para uma pessoa que é incapaz de identificar qual deles o tem. Mas acho que essa dúvida não representa uma contradição, apenas sugere uma natureza não racional.

Agora voltando à questão da constituição, gostaria de salientar que existem casos onde a diferença é importante, é fundamental. A interpretação do autor costuma conter mais informação, costuma ser mais profunda e ter traços sutis individualíssimos da sua personalidade e meio que podem ter importância dependendo do que se estuda. A obra de arte original tem traços da técnica, do material, e até mesmo das condições físicas do planeta na época. Nada impede que amanhã ou depois um pequeno detalhe possa vir a ter grande importância.

Mas volto a ressaltar, a importância é ainda nesses casos constitutiva, é porque aquela interpretação é mais profunda, por que revela tais aspectos, porque contém tal informação que ela é melhor. E uma que contivesse as mesmas coisas deveria ser tão boa quanto. A única coisa é que raramente se encontra um objeto que tenha uma constituição tão boa, mas nada impede.

Quanto ao valor simbólico, como disse, vejo o caso dos sentimentos como um caso a parte, mas acho que no caso das idéias, ele é determinado pela constituição, pela informação que aquilo traz. Com valor simbólico quero dizer que atribuímos valor as coisas por elas representarem algo. Mas digo que isso não dá ao objeto específico um valor, e sim à sua forma. Por ela trazer informações que despertam ou evocam alguma idéia, algum símbolo. Não é importante que tenha sido A ou A' que tenha quebrado o recorde, mas que alguém o tenha, e poderia muito bem ser outro.

Não sei se estou sendo claro o suficiente, mas a minha intenção é questionar qual é o valor específico de um indivíduo ou objeto além daquilo que o constitui, e por que e quando atribuir esse valor...

Acho que devo continuar refletindo sobre isso...

Baldes de água quente.

por Karynn

Há tempos eu não despejava tantas lágrimas.
Meu pedacinho de pele que fica em baixo dos olhos está ardendo porque eu fico chorando e esfregando a mão para enxugar.
Mas... saudade é inversamente proporcional ao tempo, então,
vai passar (nessa avenida um samba popular...)!
Por outro lado, o meu amor por ele, é diretamente proporcional ao tempo, então, não vai acabar nunca.

Simulacro

por Karynn

Hoje fiquei pensando... parece que a gente faz uso de tudo pra se promover de alguma forma... no meu caso, devido ao meio socio-cultural no qual eu vivo, percebi que as vezes eu fico querendo ser cult. Isso me irrita porque eu acho ridículo e idiota, mas é hipócrita essa minha atitude, porque eu sempre me pego fazendo isso, e já notei que muitas pessoas também fazem. Então eu comecei a pensar: será que eu gosto de certas coisas porque elas me agradam ou porque me promovem de certa forma??? Será que se eu não convivesse com outras pessoas (para as quais eu posso me exibir) eu teria os mesmos gostos? Não sei... parece que a gente fica tentando imitar alguma coisa, algum padrão, ou, seguir algum tipo de roteiro para ser isso ou aquilo... e daí, as pessoas vão ficando parecidas, quase iguais... como se uma fosse imitação da outra que por sua vez também é uma imitação de alguma coisa.
Não sei. É claro que eu não quero descobrir que a finalidade de muitas das minhas atitudes é tentar impressionar os outros, mas hoje fiquei pensando nisso...